O atual presidente da seccional paulista da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Luiz Flávio Borges D’Urso, foi reeleito para seu terceiro mandato à frente da entidade. A apuração foi finalizada na tarde desta quinta-feira (19/11), com a chegada dos resultados das últimas sessões do interior do Estado.
D'Urso foi reeleito com 53.887 votos (36,48%), com pouco mais de 7.000 de diferença para o segundo colocado, Rui Celso Reali Fragoso, que teve a preferência de 46.678 advogados (31.6%). Pela manhã, Fragoso já havia admitido a derrota.
Em nota divulgada no site de sua campanha, D'Urso agradeceu o apoio da classe e cumprimentou os adversários. "A eleição terminou e a partir deste momento somos uma única classe, unida em torno dos ideais maiores da advocacia e da cidadania". O atual presidente da OAB-SP ficará no comando da entidade por mais três anos.
Ontem, o criminalista travou uma disputa voto a voto com o principal oponente, Rui Fragoso. No fim da noite, no entanto, ampliou a vantagem e tinha uma diferença de quase 5.000 votos para o segundo colocado.
Terceiro colocado na disputa, Hermes Barbosa ficou com 13,11% e Leandro Pinto, o mais jovem dos concorrentes, 7,88%. Votos nulos somaram 5,89% do total apurado e 5,04% dos advogados votaram em branco.
Parciais
Na tarde de ontem, a OAB-SP divulgou boletins que mostravam os dois principais candidatos travando uma disputa voto a voto. Na primeira parcial, a diferença era de apenas 133 votos a favor de Fragoso —até então, 33,74% dos advogados votaram no candidato da oposição, contra 33,55% em D’Urso.
A pequena diferença, no entanto, mudou: D’Urso ultrapassou Fragoso e passou a liderar a parcial, dessa vez com 1.844 votos a seu favor. Ele contava então com o apoio de 34,37% do total apurado. Já Rui Fragoso tinha 32,46%.
As chapas dos oponentes também realizaram apurações extraoficiais logo após o fim da votação, ocorrida na terça (17). A chapa de D’Urso divulgou resultado de uma contagem paralela que indicava vantagem sobre Rui Fragoso. Segundo ela, que obteve o resultado em 203 subseções, o atual presidente da OAB-SP tinha 52.518 votos contra 45.630 de Fragoso.
A campanha de Rui Fragoso, porém, soltou nota contestando a apuração. Com 100% dos votos da seccional São Paulo e 116 das 223 subsecções do interior, o comitê obteve 2.200 votos de diferença em favor de Fragoso.
A maior seccional da Ordem tem 217 mil advogados com direito a voto, ou seja, inscritos na OAB-SP e com a anuidade em dia. O número de cargos em disputa é recorde: ao todo, são 406 chapas disputando 1.148 cargos em todo o Estado, sendo 133 na seccional (Conselho, Diretoria, Conselheiros Federais e Caixa de Assistência) e 1.115 nas diretorias das 223 subsecções. Ao todo são 719 seções (220 na capital e 499 no interior).
Perfil
Nascido em São Paulo, Luiz Flávio Borges D’Urso tem 49 anos, é casado e pai de quatro filhos. Formou-se em direito em 1982 pela FMU onde iniciou a vida política ao presidir o diretório acadêmico. Obteve mestrado em direito penal com a dissertação “Privatização de presídios”, doutorado com a tese “Penas alternativas” e pós-doutorado na Universidade Castilla la Mancha, na Espanha. Dentre seus clientes mais famosos estão o casal Estevam e Sonia Hernandes, líderes da Igreja Renascer em Cristo.
Depois de ficar quase 20 anos filiado ao PR (antigo PL), causou polêmica ao trocar de legenda às vésperas da eleição da OAB-SP. A pedido do filho, Flávio D’Urso, ingressou no Democratas, mas nega ter planos de concorrer a cargos públicos.
Lecionou direito penal e processual penal na FMU e na USP. No plano político, foi presidente da Acrimesp (Associação dos Advogados Criminalistas do Estado São Paulo), da Abrac (Associação Brasileira de Advogados Criminalistas), ABDCRIM (Academia Brasileira de Direito Criminal) e do Conselho Estadual de Política Criminal e Penitenciária.
Na OAB paulista, participou das Comissões do Exame de Ordem e Defesa das Prerrogativas. Foi também conselheiro por três gestões, diretor cultural por duas oportunidades e foi eleito presidente da Ordem para os triênios 2004-2006 e 2007-2009.
Fonte: Última Instância