Bispo Gê comenta a questão da discriminação racial no Brasil

05/04/2010

O transcurso do Dia Mundial contra a Discriminação Racial, celebrado no dia 21 de março, segundo entendimento do deputado federal Bispo Gê, remete-nos a reflexões acerca do caminho a ser percorrido para a afirmação de direitos de segmentos sociais de maior vulnerabilidade, em especial da comunidade afro-descendente.
No resgate de aspectos de uma memória histórica preservada, constata-se o central papel exercido por negros em nossa composição étnico-cultural. Na dança, na música, na culinária, nas manifestações religiosas e em tantos outros elementos que preenchem o amplo e rico repertório cultural pátrio, a contribuição desse importante segmento social é inegável.
Educar para transformar realidades: eis a grandiosa lição!
A valorização desse universo cultural insere-se, de forma estratégica, no conjunto de combativas ações frente a práticas discriminatórias produzidas por uma específica lógica. Especificidade – cabe ressaltar – por fazer da exclusão social verdadeiro fundamento de existência. As desigualdades revelam-se graves e, ao afetarem a capacidade de inserção dos negros na sociedade brasileira, dificultam em grande medida o projeto de construção de um País cada vez mais democrático, com oportunidades iguais para todos.
É preocupante o cenário encontrado em diversos levantamentos estatísticos. No acesso à educação, no mundo do trabalho, na distribuição de renda, nas relações de gênero, nos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), num rol ainda mais vasto de elementos abertos à análise, ainda encontramos traços, ora mais nítidos, ora mais sutis, de uma lógica social excludente.
Segundo o deputado federal Bispo Gê Tenuta, “Sabemos o quanto é relevante congregarmos esforços para o firme enfrentamento dessa lógica. Essa alternativa de ação possui extremo valor, sobretudo quando constatamos que o movimento negro, na última década, tem atuado mais intensamente na formulação de políticas públicas. Com essa missão, aprendeu a constituir-se como sujeito crítico, lembrando-nos que um outro mundo é possível: um mundo de profundo respeito às diversidades!”
Nesse contexto, a partir de ações afirmativas – medidas reparatórias por excelência – o Estado implementa políticas públicas a favor da população negra, justificando, por exemplo, a possível utilização de cotas para o acesso ao ensino superior público. Inclusive diferentes estudos sociológicos indicam que refletir sobre a dificuldade de inserção dessa numerosa comunidade no ensino superior nacional traduz nítida preocupação com a inclusão social, tendo em vista principalmente o poder transformador relevado no campo educacional.

“E esse debate precisa ser acompanhado de discussões mais amplas. De fato, o aperfeiçoamento nos mecanismos de ingresso no ensino superior guarda estreita relação com a busca por espaços de poder e por melhoria nos níveis socioeconômicos. Espero, assim, que os primeiros programas de cotas para negros em algumas universidades públicas do País mostrem o acerto desse trajeto”, afirmou Bispo Gê.

 

 

 

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